terça-feira, 7 de junho de 2011

Pulsos | Capítulo 4 - O fim

“E um dia decidiu, quis terminar
Só mais um gole e duas linhas horizontais
Sem a menor pressa, calculadamente
Depois do erro a redenção”
- Continuação do Flashback –
Procuro uma mulher que tire todo esse pensamento de minha cabeça, e encontro-a. A mulher de beleza radiante e que me deixa cada vez mais feliz, de pouco a pouco vai fazendo que eu esqueça o tal fato. Minha vida se recompõe, até que começo a sentir um ciúme fora do normal, não vejo mais minha mulher como antes, acho-a muito diferente, vivo apenas para vigiá-la e para procurá-la por todos os cantos.
Até que em um momento eu encontro o que eu nunca quis encontrar e sempre procurei. No guarda-roupa de minha namorada, mais precisamente em um bolso de sua calça, encontro um pequeno papel com apenas duas linhas escritas, uma com um nome de um homem chamado “Osvaldo” e na outra um número de telefone. Assim que vejo esse papel, anoto o número e levo para telefonar pro dito número e ver quem é esse Osvaldo e o que faz com minha mulher.
Assim que o telefone é atendido, o homem fala apenas as seguintes palavras: “Oi Priscila, não posso falar agora que minha mulher tá chegando, um beijo.”. Ao ouvir isso meu coração bate mais forte, estou em uma hora de alumbramento, não entendo o que a levou a tal ato, sempre fomos um casal bonito, nunca tivemos problema algum, quero saber o que esse Osvaldo tem e eu não tenho, não entendo essa vida.
Não agüentando essa situação, olho-me no espelho, passo 30 minutos pensando e perguntando pra eu mesmo o que fazer. Corro para a cozinha, pego uma faca, volto ao espelho, nem a dor ou a piedade impede-me de tomar aquela decisão, e corto meus pulsos. E aí, depois dessa situação, apareço apenas eu no espelho, dentro do cubo branco, sozinho. Analiso a situação e tenho a certeza de que estou morto. Nesse instante o espelho volta ao normal, e tomo uma atitude.
- Fim do Flashback -
Peço ao espelho que mostre minha ex-mulher, apenas para me responder por que ela teria me traído, e o espelho mostra-me. A beleza não é a mesma da que vi, não sei dizer ao certo se o que via era o que estava acontecendo ou uma imagem antiga, só sei que ao me ver, ela sai do espelho, chora e abraça-me. A ira toma conta de mim, e pergunto-a porque me traiu, éramos tão felizes, e ela responde-me automaticamente que não entende do que eu estava falando, não entende nada, não sabe do que estou falando, e eu digo-a sobre “Osvaldo”.
Com uma risada preocupante, ela me olha e diz: Do que você está falando? O que falava com Osvaldo era uma surpresa para você. Osvaldo é um primo distante seu, que por forma de pesquisas longas encontrei, então estava marcando um encontro de família, queria que você tivesse essa felicidade antes que eu lhe anunciasse minha gravidez. Lagrimas lavam seu rosto e o meu também, olho para ela ainda, olho para o espelho, olho para faca. Pego a faca, olho meus pulsos, e mato-me pela segunda vez. 

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