terça-feira, 31 de maio de 2011

Pulsos | Capítulo 3 - Família

“Saída de emergência”

O espelho mostra-me imagens de pessoas cortando os Pulsos, e muitos sangues jorrando do mesmo, não suportando as imagens, eu fecho os olhos com força. Como não quero fazer isso, peço para me dar o que mais quero, e minha cabeça só me deixa pensar – eu estou vivo? Eu estou vivo? Eu estou vivo? A imagem de toda a minha vida começa a ser passada no espelho, respiro fundo e vejo as imagens significantes.

- Flashback -
Meu nome é Renan, moro – ou pelo menos morava – em Guarulhos-SP, tive uma infância especial com minha família, meu pai se chamava Augusto e minha mãe Fabianne, cujo eles de uma forma imprescindível, e que me abalou muito, tiveram que partir para um lugar que acredito eu seja melhor. No dia 30/01/1991, eu estava completando exatamente um ano, quando uma moto cerca nosso carro, rende-nos e mata-os, deixando apenas eu mesmo no meio do nada, até que me encontram e levam-me para morar com uma tia.

Desde aí, minha vida não é mais a mesma, cresci e conheci minha mãe apenas por foto, sem nunca poder abraçá-la e beijá-la, com o meu pai a mesma coisa. Quatorze anos depois, ainda com 15 anos apenas de vida, contam-me que tenho um irmão, e que ele gostaria muito de conhecer, teria nascido de um relacionamento antecedente ao casamento do meu pai. Fico feliz por poder conhecer uma pessoa que mesmo sendo bastardo, é meu irmão, e vou ter com quem compartilhar os momentos de tristeza e a solidão de não ter o pai comigo.

Porém não é muito bem isso o que acontece, o irmão, corretamente eu tenho, porém não é o que eu esperava, ele tem apenas 9 anos amais que eu, e vive em uma vida delirante, uma vida pela qual ninguém nunca deveria ter passado, ele vive no mundo das drogas, e como sua mãe não tem como suprir seu vício por falta de dinheiro, ele rouba, e queria conhecer-me apenas para ter um aliado em seu mundo, e não é isso o que quero nem pra eu nem pra ele.

Já com 20 anos e ainda nessa situação, sem saber o que fazer para não magoá-lo e tirar o mesmo dessa vida, converso com minha tia cujo me cria e criou, ela achando muito bonito o ato de um menino de apenas 10 anos, vendo dessa forma a vida, chama meu irmão para uma conversa, minha tia consegue fazer qualquer problema gigantesco parecer nada ao lado da lista de soluções, ela pede a mim então que saia, e que ela converse apenas com ele mesmo, assim ela não teria problemas dele envergonha-se e pedir perdão à Deus pelo que fez, porém não é isso o que acontece.

Meu irmão, tenta assaltar minha tia, que com Jesus no coração, tenta repreendê-lo, porém, já era sua hora, creio eu, não conformado e querendo que ela entregue seus objetos, meu irmão pega o revólver e mata-a. É neste mesmo instante que estou chegando em casa, e ouço o disparo, entro correndo e vejo a cena, sem acreditar realmente, vejo meu irmão no chão, inconformado por ter matado a irmã de nosso pai, a única tia que tínhamos.

A raiva pairava meu coração, então pego a arma, e mato meu próprio irmão, sem dor alguma no momento, só pensando que ele matou a única pessoa pela parte de meu pai que conhecia, então não merecia viver nesse mundo, e eu não veria minha tia que me criou até hoje morrendo assim, por uma pessoa que queria seu dinheiro apenas para uso único de drogas, não me conformo com essa situação, com a arma na mão, penso o que fazer agora com estes dois corpos na sala da casa da minha tia, sem ter o que fazer.


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