domingo, 1 de maio de 2011

Pulsos | Capítulo 1 - Coragem

E um dia se atreveu
A olhar pro alto
Tinha um céu, mas não era azul
No cansaço de tentar quis desistir
Se é coragem eu não sei”
Olho para cima e vejo algo diferente do que normalmente costumava ver, meus olhos ardem, porém meu coração fala mais alto querendo ver o que não conseguia distinguir. Sem fórmula, sem vida, sem cor, totalmente branco, algo com luz exageradamente dolorosa aos olhos de quem tenta entender, então abaixo a cabeça e tento focalizar minha visão, algo extremamente doloroso, que me faz querer desistir.
Com o sentido mais óbvio -norte e sul- noto que quando olho para cima deveria ver um céu, se é ou não, eu não sei, porém não possui a cor azulada, e nem nuvens que possam me fazer sentir o que sentia a poucas horas atrás, ao meu ver, estou preso em algum cubo maldito, e o que sinto é tristeza, por não ter coragem de poder olhar e ver o que realmente me incomoda, então tomo atrevo-me a ver.
Olho para o auto sentindo o que não desejaria ao meu pior inimigo, dor, desconfiança, tristeza e agonia. Então relembro dos momentos felizes que já vivi fora daqui, momentos de alegria, romance, aventuras e dores que são essenciais para qualquer vida humana, para qualquer um que viaja no celestial de uma vida. Relembro dela, a mulher de minha vida pela qual senti um amor infinito que está dentro de meu peito.
É isso, guiar-me-ei por ele, ele que me ajudará, meu coração, meu peito, minha vida. E quem está em todos esses lugares e que melhor irá me entender é Deus, sei que ele está aqui comigo, independentemente do que eu tenha feito no passado, sei que Ele esta aqui comigo, neste cubo indistinguível, cujo não sei como enfrentá-lo, como sair com vida, saúde e com Deus guiando-me pelo caminho secreto que meus olhos não conseguem ver.
Melhor dizendo, meus olhos não conseguem ver nada, só vejo três paredes brancas, não vejo encima, não vejo embaixo, só o que tenho como ver é a frente e atrás, e nem sei se isso é ver alguma coisa, já que é insignificante para mim, não diz-me a verdade, não deixa-me lembrar do que foi dito ainda a pouco, não mostra-me o caminho, não deixa-me pensar, então, bato nas paredes que vejo, chuto-as e nada além de um barulho irreconhecível.
Um barulho assustador e tremendo toma conta do cubo onde estou, olho para o “céu” e mesmo não vendo nada, forço minha vista para tentar ver, porém com mais essa tentativa frustrada, eu desisto e volto o olhar a parede, quando vejo que eu estou ali, frente a frente comigo mesmo, passo a mão pela parede, e vejo que sou eu em vários momentos de minha vida, e vejo também quem controla tudo ali sou eu.
Pergunto a mim mesmo no reflexo o que ele é, se é algo do meu pensamento ou simplesmente real, e ele responde com toda a clareza que ele é real. Fico em dúvidas, não relembro porque perguntei-o se ele é real, e então faço uma pergunta um pouco mais complexa que pode responder a todas minhas perguntas futuras, responder todas as perguntas passadas e todas as presentes, então olho para eu mesmo e pergunto: Eu estou vivo?

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