sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pulsos | Capítulo 2 - Objeto

“Tenta achar que não é assim tão mal
Exercita a paciência
Guarda os pulsos pro final”

Não ouço nada, apenas o eco de minha própria voz. Fico preocupado por não ter resposta, então corro para o outro lado do cubo, e a parede está normal, diferente da primeira, que estava como um espelho mágico, que respondia comigo mesmo as minhas próprias perguntas, vejo a parede completamente branca, e tento fazer o mesmo que fiz com a primeira, quero saber se isso que aconteceu seria uma espécie de dom que eu teria, assim, olho para a luz, e não me incomodo de ter a sensação de estar quase cego, com a vista latejando e volto meu rosto para a parede, quando meu olhar fixa, vejo o inesperado.

Olho novamente e tento saber o que realmente é aquele objeto, não sei o que vejo, não tenho convicção de que objeto aquela incógnita poderia ser, quando assombrosamente eu não tenho mais o poder de minhas pernas e ando em direção ao tal objeto, meus braços não obedecem mais aos meus comandos, que suplicam que ele não toque, porém esse poder é mais forte do que eu, e pega, tal que ainda com ele em minhas mãos, não consigo distinguir o que seja, e quando minha visão vai melhorando da quentura que tinham sido expostos, noto o que é, e surpreendo-me mais ainda.

Esse objeto, para mim não tem utilidade nem uma, não sei pra quê ele veio parar aqui comigo, eu aperto-o pelo cabo, e não entendo o que ele significa, então jogo-o no chão, e sento, quero tentar lembrar exatamente o que houve na ultima noite de minha vida normal, quero entender qual a causa que me fez parar aqui, e o que eu devo fazer, o que cada objeto significa, então, volto a pegar aquele objeto que eu havia jogado no chão, e agora tenho a convicção absoluta, de que é uma faca, e não sei qual utilidade ela tem a me fornecer, porém sei que não está por aqui ao acaso, algo me diz isso.

De certa forma, este lugar não é a pior coisa que eu já passei, afinal, não lembro de nada que poderia ter vivido, descontente com isso, tento pensar novamente em alguma coisa, e uma leve imagem, vem a minha cabeça, só uma imagem, a qual eu não sei que significado ela teria para mim, porém, eu sei que sou eu, eu reconheço-me, eu sei quem eu sou. Na imagem que prevalece em minha cabeça, só o que eu enxergo é uma bela paisagem urbana, em que há poluição por todo o canto, vejo homem batendo em homens, pessoas passando fome, e ao lado delas pessoas saindo de lojas de artigos que não teriam nem uma utilidade para elas.

E no meio de todas as coisas ruins destacadas na imagem, sou eu no meio dela, e visto uma estranha roupa muito diferente da que visto hoje, na foto estou com paletó e gravata, uma roupa tipicamente cara, e meu cabelo, todo arrumado, todo correto, muito diferente de hoje, que logo após me olhar, vejo apenas roupas pretas e cabelo grande despenteado, isso só dificulta ainda mais minha cabeça, porém sei que irei desvendar esse mistério, sei que eu irei lembrar quem eu era, e minha vida será normal novamente.

Olho para a outra parede, pensando em o que seria que apareceria lá, e vendo que não conseguiria olhar para cima novamente e ver o sol ardendo fortemente em meus olhos, vou até a parede que vejo o espelho, e com toda a fé, pergunto-a, confiante de que irei receber uma resposta sólida, e pergunto com mais amor, mais crença do que da ultima vez que tinha feito o mesmo processo, fecho os olhos, olho para o espelho e pergunto: O que devo fazer com a faca?

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